sexta-feira, 27 de junho de 2008

10.


Às vezes o Universo conspira.


Tinha escolhido um encontro num sítio em Lisboa para não a afugentar. No entanto ia com o firme propósito de fugir dali. As circunstâncias tinham-nos posto num dos sítios mais agradáveis que conheço, na altura ideal do dia, com o clima ideal, uma brisa morna e agradável, e, cereja no topo do bolo, dia e hora de jogo da selecção nacional num sitio sem televisão. Resultado: Apenas um casalinho de namorados num recanto e nada mais. Entrámos para pedir, no caso um gin tónico e uma caipirinha, dizendo que íamos lá para fora.


Escolhemos um autêntico camarote com vista para o mar. A menina veio com as bebidas:


- Os senhores vão-me desculpar, eu vim agora aqui trazer as bebidas mas não posso voltar, uma vez que estando cá sozinha, não me posso afastar tanto do balcão...


- Deixe lá. Se for preciso mais alguma coisa, vamos buscar. Não tem problema algum.


Tive vontade de a beijar...


- Acho que não ficámos a perder com a troca de sítio. Que lhe parece?


- Absolutamente. Já fiquei a conhecer mais um sítio.


- Venho eu, de fora, mostrar sítios aos amigos de Lisboa.


- Não é de cá? Não se nota nada.


- Na verdade sou, mas neste momento vivo mais para norte. Já reparou que estamos destinados a partilhar varandas sobre o mar?


- Há coisas muito piores...


- Pode ser que desta vez não me despache...


Sorriu de uma forma que me pareceu um bocadinho sacana, ao mesmo tempo corava ligeiramente.


- Sentiu-se despachado? Acho que não fez nada para que eu o despachasse.


- Ao telefone, no Hotel, despachou-me completamente.


- Queria dizer-me ao telefone o que não me tinha dito na cara?


- O que queria que eu tivesse dito?


Respondeu-me apenas com o olhar. A minha mão, que andava despreocupada pelas costas da sua cadeira, pousou no seu pescoço e beijámo-nos. Um beijo que começou morno e terno mas que, quase instantaneamente, aqueceu e se tornou num "combate" de línguas.

Sem comentários: