quinta-feira, 26 de junho de 2008

8.


A sério que quando combinei às seis, estava convencido que o bar estaria aberto.


Estava a pensar numa bebida ao fim da tarde, eventualmente um "snack", marginal ao fim da tarde e jantar no hotel do Guincho. Um programa discreto.


Só depois me apercebi que o ponto de encontro só abria às sete.


O meu primeiro impulso foi o de mandar uma mensagem a avisar da obrigatória mudança de planos. Não durou muito.


À hora marcada lá estava eu num café de onde poderia observar sem ser detectado. Não consegui resistir a observar a sua reacção.


Chegou de táxi, aproximou-se da porta, olhou lá para dentro, consultou o horário afixado na porta e fez uma cara de poucos amigos.


- Peço desculpa pelo atraso. Tive uma reunião que se prolongou, mas já estou a caminho...


Ficou a olhar para o telefone. Parecia um pouco "perdida" mas a tentar manter a pose.


- Ainda está fechado. Quanto tempo?


Não acho boa ideia conduzir e enviar sms, por isso não respondi. Ficou a olhar para o telefone, com alguma impaciência. Ao fim de pouco tempo resolvi aparecer. Não queria arranjar uma inimiga logo à partida.


- Consegue perdoar-me esta confusão?


- Vai ter que me compensar.


O beijo suave, no canto do lábio foi esclarecedor.


- Tinha pensado em jantarmos para os lados do Guincho. Há um sitio maravilhoso para se estar a esta hora, perto do Cabo da Roca. Parece-lhe bem?

Sem comentários: