
A sério que quando combinei às seis, estava convencido que o bar estaria aberto.
Estava a pensar numa bebida ao fim da tarde, eventualmente um "snack", marginal ao fim da tarde e jantar no hotel do Guincho. Um programa discreto.
Só depois me apercebi que o ponto de encontro só abria às sete.
O meu primeiro impulso foi o de mandar uma mensagem a avisar da obrigatória mudança de planos. Não durou muito.
À hora marcada lá estava eu num café de onde poderia observar sem ser detectado. Não consegui resistir a observar a sua reacção.
Chegou de táxi, aproximou-se da porta, olhou lá para dentro, consultou o horário afixado na porta e fez uma cara de poucos amigos.
- Peço desculpa pelo atraso. Tive uma reunião que se prolongou, mas já estou a caminho...
Ficou a olhar para o telefone. Parecia um pouco "perdida" mas a tentar manter a pose.
- Ainda está fechado. Quanto tempo?
Não acho boa ideia conduzir e enviar sms, por isso não respondi. Ficou a olhar para o telefone, com alguma impaciência. Ao fim de pouco tempo resolvi aparecer. Não queria arranjar uma inimiga logo à partida.
- Consegue perdoar-me esta confusão?
- Vai ter que me compensar.
O beijo suave, no canto do lábio foi esclarecedor.
- Tinha pensado em jantarmos para os lados do Guincho. Há um sitio maravilhoso para se estar a esta hora, perto do Cabo da Roca. Parece-lhe bem?
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