quinta-feira, 26 de junho de 2008

7.


Sentia que estava a brincar ao gato e ao rato, com alguém que desconhecia completamente… se por um lado isso me dava um gozo difícil de explicar, por outro levantava algumas defesas naturais… num misto de vontade de provocar e de fugir da situação, um daqueles dilemas nem sempre facilmente ultrapassáveis.

- Apetecia-me que me tivesse convidado para ficar a tomar um copo ao fim do dia no “nosso” terraço…

- Apenas isso?

Estava a entrar na brincadeira, diria mais, estava claramente a virá-la contra mim… a obrigar-me a abrir o meu jogo, a confessar os arrepios inconfessos… sentia-o à vontade a fazê-lo, como quem domina o jogo da sedução.

- Podíamos sempre jantar alguma coisa, conversar um pouco…

- Isso é um convite?

- Ahahaha! Conseguiu pôr-me onde queria…?! Isso soa-me a manipulação. Referia-me a se eu tivesse aí ficado ontem…

- Já percebi que não consigo arrancar-lhe um convite, permite ao menos que a convide eu?

Hesitei por momentos, um jantar é sempre uma coisa pública, os meus níveis de conforto pareceram-me razoavelmente estáveis, respondi-lhe:

- Se for em Lisboa… para esta semana chega de viagens…

- Amanhã à noite? Mas cede a sair da cidade, que ao sábado não há nada de jeito aberto… prometo que não vamos para longe!

- Se promete… mas aviso-o que estou estafada, não serei a melhor das companhias…

- Deixe isso por minha conta :-)

Voltei ao trabalho ainda a pensar na situação, podia estar à procura de uma chatice, mas era só um jantar… que mal tinha? Aquela sensação de arrepio transferira-se agora para o estômago, não me foi fácil almoçar, não sei se pelo cansaço se por aquele arrepio que sentia cá dentro…

A tarde passou a correr, finalmente era 6ª feira à noite e ia poder relaxar. Cheguei a casa preparei um banho de imersão bem cheio de espuma, acendi umas velas pela casa, liguei a aparelhagem, aqueci o meu balão de cristal e servi-me de uma dose generosa do meu whisky velho favorito.

Deixei-me ficar dentro da banheira a sentir a carícia quente da água e da espuma, a beber aquele néctar suavemente aquecido e a ouvir a minha música favorita até quase ao esquecimento.

Quando saí, o telemóvel tinha duas novas mensagens… respondi à primeira, abri a segunda e leio:

- Não quero acreditar que ainda esteja a trabalhar a esta hora! X

Estava datada das 20:15, mas já passava das 21:00h, ainda hesitei mas acabei por responder:

- Estava a tomar um belo banho de imersão, só agora acabei

- Bem me podia ter convidado…

- Não sabia que também gostava, hihihi! Fica para a próxima!

- Não me vou esquecer…

- Quem sabe… depois de um belo queijo, isso passa-lhe…

- Amanhã às 18, está bem para si?

- Não é um pouco cedo para jantar? Onde combinamos?

- Tomamos um aperitivo antes. Conhece o bar Luca, perto do Marquês? Às 18 espero-a lá!

- Se fica em Lisboa, hei-de encontrar… não se preocupe!

- Durma bem. Um beijo X

1 comentário:

Marrie disse...

Huuuummm
Esta história está a esquentar.............. lá e cá! rs
bjs aos dois