quinta-feira, 26 de junho de 2008

4.


- Foi muito amável ao emprestar-me o seu casaco à pouco. Mais uma vez, obrigada.


- Não me agradeça. O seu cheiro ficou nele. Foi compensação suficiente.


- ...


- Peço desculpa. Não a queria embaraçar. A verdade é que foi muito agradável. Posso perguntar se está por aqui em trabalho?


- Infelizmente. E você?


- Uma mistura. Vim a trabalho mas aproveitei para descansar um pouco. Vou ficar mais dois dias e depois volto ao "inferno".


- Porque é que presumiu que eu estava em trabalho?


- Achei a sua companhia ao jantar demasiado formal para ser prazer. Juntando isso com o facto de os ter abandonado para vir para aqui, acrescentando as sms durante o jantar... Fiquei com a sensação de que a companhia que desejava não estava ali.


- Estava a espiar-me? Isso é muito feio...


- Apenas a admirá-la e a lembrar-me do seu cheiro no meu casaco. Por momentos pensei que tinha corado quando me viu. Depois, reparei que não era eu o culpado.


- Tem sempre tantas certezas a respeito de tudo?


- Posso perguntar quem era? Marido?


- Não.


- Não era o seu marido?


- Não pode perguntar...


Estava a adorar aquele risinho que, junto com o facto de estar a corar novamente, indicavam que algo estava a ter efeito. Eu, ou o alcool? Seria isso importante? Nem tanto. O alcool não inventa nada, só nos desinibe.


- Não queria ser indiscreto. Peço desculpa.


- Não peça. O meu estado civil não me define. Apenas isso. E você? É casado?


- Cada vez menos.


- Devia-se criar esse estado civil, não acha?


- Se calhar devia acabar-se com os estados civis. Resolvia-se muita coisa. Posso trazer-lhe mais uma bebida?


- Está a fazer-se tarde. Na verdade, acho que me vou deitar, apesar da agradável companhia. Amanhã tenho um dia comprido, que acaba numa viagem para Lisboa.


- Nesse caso subimos juntos. Parece-lhe bem?


- ...


Entrámos no elevador. Senti-a corar de novo quando se apercebeu que estávamos no mesmo piso e ainda mais quando chegámos à conclusão de que os nossos quartos ficavam quase em frente um do outro. Não fiz um convite forçado nem esperei que me convidasse a entrar.


- Posso ligar-lhe? Podemos conversar mais um pouco enquanto não adormece.


- Acho que sim. Tem nome? Cavalheiro do casaco quentinho...


- O meu nome não me define...

1 comentário:

Anónimo disse...

Hmmmmmmm

Estou a gostar do que estou a ler... Vou ficar a aguardar mais desenvolvimentos.

Para já, vai para os meus favoritos.

Um beijo